Tenho me perguntado
frequentemente por que achamos natural que um curso de formação de bacharéis,
psicólogos, engenheiros etc. dure entre quatro e cinco anos e que a formação de
professores se realize em apenas três.
Quando falamos na
valorização dos professores, imediatamente, pensamos em salários mais dignos.
Obviamente isso se faz necessário e urgente, mas não é a única questão a ser
pensada.
A formação dos docentes em
três anos já suscita a ideia de que nossa profissão é mais rasa do que outras.
E uma, das tantas consequências, são os salários oferecidos pelo mercado.
Basta dar uma pequena
olhada nos editais dos concursos públicos, em todos os níveis.
Há alguns dias, para o
cargo de Analista em Educação, era solicitado qualquer diploma de nível
superior. Me chamem de arrogante, mas me recuso a discutir educação com alguém
que não seja formado na área docente. Por acaso algum médico, enfermeiro,
advogado, discutiria com um professor as questões relativas às suas profissões?
Por que o educador deve se submeter a esse tipo de situação?
No mesmo edital, de todos
os salários de nível universitário, o mais baixo era o de Analista em Educação.
Seria mera coincidência?
A desvalorização dos
profissionais da educação já se inicia na proposta de formação do educador.
As condições de trabalho,
seja em nível básico, médio ou superior as condições de não são diferentes.
Docentes universitários
recebendo por hora aula, enchendo-se de trabalho em sala de aula e deixando o
tempo de estudo esvair-se entre os dedos.
Professores dos ensinos
básico e médio correndo de escola para escola, tendo que trabalhar em sala de
aula de manhã, de tarde e de noite para conseguir manter-se minimamente.
Futuros docentes sendo
formados em cursos semestrais, de três anos, onde aulas expositivas campeiam,
provas e trabalhos são os únicos motivos pelos quais se estuda e a pesquisa
passa muito longe da universidade, bem como o entrosamento da instituição com a
comunidade.
Somos/ seremos docentes de
papel, propagando uma educação cada vez mais deficitária, onde os cidadãos
também são apenas de papel.




