Esses dias fui com a minha sobrinha
ao cinema e depois do filme resolvemos ir a uma dessas redes de fast food lanchar.
Por se tratar de uma das
poucas coisas que fica aberta no Gonzaga após às 22h00, a loja estava
relativamente cheia.
Já havíamos feito nosso
pedido e estávamos lanchando próximo ao balcão de atendimento quando um fato
grotesco aconteceu.
Essa empresa tem, em seus
caixas, um lugar onde os clientes são convidados a depositar seus trocos em
moeda, favorecendo alguma causa humanitária que eu não sei qual é. Segundo
minha sobrinha, o dinheiro é destinado a ajudar crianças com câncer. A causa é
nobre e algumas moedas não farão falta aos consumidores do local.
O que me surpreendeu é a
maneira como a coisa é tratada.
Enquanto lanchávamos, uma
das funcionárias veio do fundo da loja e, gritando com as moças dos caixas, informou que era inadmissível terem recolhido apenas um real de donativos o dia
todo. Ainda de forma grosseira, disse que no dia seguinte os pedidos das
funcionárias pelos trocos em moedas deveriam ser mais ostensivos. Uma das funcionárias
retrucou e ouviu uma resposta ainda mais grosseira.
Vendo aquilo, me senti
humilhada pelas trabalhadoras que ali estavam. Percebi que as outras pessoas
também não concordavam com aquilo que haviam acabado de presenciar.
Terminei meu lanche e me
reportei ao gerente sobre o acontecido. O rapaz, extremamente solícito e
educado, disse – me que já estava tomando providências com relação ao fato.
Voltei para casa com os
miolos meio borbulhantes, sem saber o que realmente me incomodava e, pensando
friamente, percebi que o paradoxo da situação era o que me deixava mais
passada.
Para construir uma imagem de
empresa humanizada, a tal rede de sanduíches solicita a seus clientes
contribuições a uma determinada causa, mas ao mesmo tempo, faz com que seus
funcionários pressionem seus subordinados, de forma humilhante, para a recolha
dessa verba.
Fiquei me perguntando se
talvez, não fosse mais eficaz começar a humanização de dentro para fora e me
peguei, respondendo a mim mesma, que esse tipo de atitude não gera lucro.

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