sábado, 25 de julho de 2015

Podem ser humanizadas as empresas?


Esses dias fui com a minha sobrinha ao cinema e depois do filme resolvemos ir a uma dessas redes de fast food lanchar.
Por se tratar de uma das poucas coisas que fica aberta no Gonzaga após às 22h00, a loja estava relativamente cheia.
Já havíamos feito nosso pedido e estávamos lanchando próximo ao balcão de atendimento quando um fato grotesco aconteceu.
Essa empresa tem, em seus caixas, um lugar onde os clientes são convidados a depositar seus trocos em moeda, favorecendo alguma causa humanitária que eu não sei qual é. Segundo minha sobrinha, o dinheiro é destinado a ajudar crianças com câncer. A causa é nobre e algumas moedas não farão falta aos consumidores do local.
O que me surpreendeu é a maneira como a coisa é tratada.
Enquanto lanchávamos, uma das funcionárias veio do fundo da loja e, gritando com as moças dos caixas, informou que era inadmissível terem recolhido apenas um real de donativos o dia todo. Ainda de forma grosseira, disse que no dia seguinte os pedidos das funcionárias pelos trocos em moedas deveriam ser mais ostensivos. Uma das funcionárias retrucou e ouviu uma resposta ainda mais grosseira.
Vendo aquilo, me senti humilhada pelas trabalhadoras que ali estavam. Percebi que as outras pessoas também não concordavam com aquilo que haviam acabado de presenciar.
Terminei meu lanche e me reportei ao gerente sobre o acontecido. O rapaz, extremamente solícito e educado, disse – me que já estava tomando providências com relação ao fato.
Voltei para casa com os miolos meio borbulhantes, sem saber o que realmente me incomodava e, pensando friamente, percebi que o paradoxo da situação era o que me deixava mais passada.
Para construir uma imagem de empresa humanizada, a tal rede de sanduíches solicita a seus clientes contribuições a uma determinada causa, mas ao mesmo tempo, faz com que seus funcionários pressionem seus subordinados, de forma humilhante, para a recolha dessa verba.
Fiquei me perguntando se talvez, não fosse mais eficaz começar a humanização de dentro para fora e me peguei, respondendo a mim mesma, que esse tipo de atitude não gera lucro. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário